December 3rd, 2006

COMUNIDADE DA MOQUECA

 

 

Você está na comunidade de quem já comeu? A Bá hoje conseguiu enfim abandonar a comunidade do ainda não comi e passou a fazer parte da comunidade do já comi.

Murilo e Marião participaram pela primeira vez da festa da moqueca. Privilégio para poucos, participar da festa da moqueca é simplesmente se tornar top top top! Top, top, top, uh!

Sim, primeiro você tem que escolher o peixe. E se o seu amigo trabalhar no ceasa, mande um amigo seu comprar, porque com certeza ele não vai querer cobrar o peixe de você!!!!!

Não convide a Denise, ela, com toda a certeza vai querer dar pimenta para o seu cachorro e se você tiver um TOBLERONE então.... nem te conto.

O Ivan vai sugerir de pedir uma pizza e a Ci, mais uma vez vai cair!

A Madalena vai tomar cerveja, comer os restos de peixe que forem para o lixo, aí alguem vai começar a brincar com ela, até que eu, se ainda não me perdi na ordem, pedirei ao Luis segurar ela pela cabeça como se ninguém tivesse visto ainda!

Os meninos vão começar a joga Winning Eleven e alguém vai sair de cara feia. As meninas torcem pelos seus meninos, quando na verdade estão torcendo para a jogatina acabar.

Por fim, alguém vai ver que já está amanhecendo e todos decidirão ir embora, Aí ficaremos todos papeando horas na rua, na porta de casa, até o vizinho da frente soltar um "shiu" bem alto e abaixarmos a voz. Sem percebermos voltaremos a berrar e o vizinho ficará puto.

Assim acabará a noite moquequística!!!!

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October 7th, 2006

"ALL YOU NEED IS LOVE"

"Alguma coisa acontece no meu coração. Que só quando cruza a Ipiranga e Avenida São João. É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi."

As coisas acontecem de forma inusitada para mim. Sempre foi assim. Desde que vim ao mundo e mamãe, sonhando com um menininho, me comprou meu primeiro presente: uma caminhonete. E eu brinquei com ela, mesmo nascendo menina. E também usei muitas roupinhas azuis e algumas com o bordado "boy". Tudo bem, isso não foi um problema para mim e hoje vivo muito bem sendo menina, mulher...

"Eu queria que a minha vida fosse um filme". É, eu sempre quis isso. Sempre quis que um mês se passasse em uma música. Ou que eu simplesmente encontrasse o verdadeiro amor da forma mais inusitada possível.

No Sesc existe uma infinidade de coisas para você fazer. Pelo menos no de São Paulo tem. Seja uma exposição, um show, almoçar, praticar algum dos vários esportes, fazer uma oficina, ler jornais, revistas... Usar a internet é uma delas.

- Oi, eu queria usar um computador.

- Temos vaga para o horário das 6:30, posso marcar?

- Hmmm, bem no horário em que começa a minha Ioga. Não dá. Obrigada!

Se aproxima um ser e me convence a ficar.

- Eu tô montando um computador agora. Se você quiser, pode usar esse.

- Hmm, legal.

Fico bem em frente ao ser, esperando-o colocar o HD.

- E aí? Tô fazendo pressão?

- Nem que você quisesse.

Emudeci.

Foi assim que eu conheci o Luis. Depois de uma semana estávamos namorando. Depois de um mês ele conheceu meus pais. Depois dem 11 meses nós nos casamos.

O amor é lindo!

Untitled

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BARATAS

Eu simplesmente odeio baratas. Nem sei na verdade porque elas existem. Qual a função delas na cadeia alimentar. Talvez alimentar as aranhas. É... meu pai sempre me disse que as aranhas come baratas. Por isso eu passei a deixar as pobrezinhas viverem..... para que pelo menos diminuam a existência delas - as baratas.

- Amor, tem uma barata aqui no corredor. Poxa, amor.. no corredor, que merda. Enquanto era no quintal tudo bem, mas no corredor, não.

- Você vai matar ela?

- Não. Não tenho coragem.

- Tá, eu vou matar. Fica aí olhando para ela.

- Sério? Tenho mesmo que ficar olhando esse ser asqueroso.

- Cadê ela?

- Tá alí. Não se mexeu desde que você me pediu que a fitasse.

- Po.. queria acertar na cabeça... assim não esmago ela e não suja o chão.

 

Quase vomito. Só de imaginar aquela gosma saindo dela. Odeio baratas. E odeio outros seres peçonhentos também. Após minha primeira vinda para SP eu resolvi passar dois meses em Salvador, na casa dos meus pais.

- Mi, você pode dormir aqui comigo e com seu pai, mas pode ficar no salão de festas também. Tem o sofá cama lá.

- OK.

Lá estou eu no salão de festas. Feliz. Vendo uma parte do céu, uma parte do mar, uma parte da piscina e o Droll, com seus 16 anos. Avisto no canto um peçenhonto. Aquele que tem tantas patas quantas você puder contar. Lacraia? Não sei. Um ser comprido e largo. Do tamanho do meu indicador. Sim, para mim, isso é um ser imenso. Penso que não poderei dormir aqui com este ser. Penso logo em dormir com meus pais, mas essa idéia logo apodrece quando lembro quantas primaveras acabara de completar. Vamos matar o peçonhento! Munida de uma vassoura com o cabo maior existente sigo em sua direção. Fito-o. Mato-o com uma, duas ou três pauladas, digo, vassouradas. Beleza, bicho morto é bicho indefeso. Posso dormir tranquila. Acordo. O animal sumiu. Puta merda. Nunca mais dormirei tranquila no salão de festas.

Currently feeling: um nojo absurdo
Posted by MILA_on_the_road at 12:11 AM | Escreve aí, meu!

September 12th, 2006

VIZINHANÇA FOOOOORTE

Vizinho é aquele que mora ao lado. Na verdade, vizinho é a rua toda. Mais do que a rua toda. Vizinho é o quarteirão todo. E muitas vezes você chega a ter vizinhos de bairro. Ou de outro bairro.

Enfim.. nada disso é muito importante. Vizinhos são bons. Um dia eles fazem barulho, uns dias é você quem faz. No nosso caso, a maioria das vezes somos nós que fazemos o barulho. Aliás, todas as vezes. Acho que somos os mais jovens da vizinhança. Explicação lógica.

 

O lixeiro para terça, quinta e sábado. Isso quer dizer que você só pode colocar o lixo na rua nas terças, quintas e sábados. Complicado? Mas por que colocar o lixo na frente da sua casa, quando existe a frente da casa do vizinho?

- Amor, não aguento mais isso..

- O quê, linda?

- Hoje é domingo e o cara colocou o lixo na nossa árvore, só que o lixeiro só vai passar na terça.. que merda! Vai ficar esse lixo aí até terça de manhã.... Vamos falar com o Matos (o vizinho), por favor..

- Calma, linda, temos que falar com calma. É melhor do que criar um conflito com um vizinho que mora colado com a gente.

- Mas nós vamos falar, né? De hoje não passa.


Luis foi tentar...
- Oi Matos, tudo bem?

Eu com cara de cu, dei aquele sorriso amarelo. Mas Luis continuou.
- Vocês que colocaram aquele lixo alí na árvore?

- Hã? O quê? Não, nós não colocamos lixo algum.

Eu não me contive e tive que abrir a boca.
- Sabe o que é, Matos? É que o lixeiro só passa nas terças, quintas e sábados e todos os dias tem lixo na árvore em frente a minha casa, fora que a árvore se torna uma lixeira..

- Não, mas a gente não coloca lixo alí não.. eu não sei quem é que está fazendo isso, mas todo dia tem lixo ali.. é incrível. Eu posso colocar lixo aqui, depois dessa linha, que é onde termina o muro da minha casa, aqui se eu quiser eu posso colocar.

Luis e eu olhamos para o lixo encostado na nossa árvore, com cara de quem queria muito acreditar que aquele lixo não era do matos. Um sacão cheio de saquinhos do supermercado Dia e mais uns 4 saquinhos também do Dia.

Eu puxei o Luis para irmos logo embora para a feira porque já iam acabar as frutas. Luis ainda finaliza super mega hiper ultra master simpático:
- Então tá bom, Matos, já que não são vocês, beleza. Se você ver alguém colocando, nos avise, ok?

Passei a feira inteira falando mal do Matos.

- Aquele pilantra. Lógico que é ele que coloca o lixo alí, quem mais colocaria tanto lixo alí e do mesmo supermercado? Que cara de pau. Ele nem viu o lixo e já falou que não foi ele. Idiota. É um idiota mesmo. A moça que vende morangos falou que era ele. A vizinha do outro lado disse que ele coloca sempre o lixo ali e ele vem com essa cara precisando de óleo de peroba..

- Calma, Mi.

Saímos a tarde com a Letícia. Na volta, o sacão de lixo está na linha que separa a nossa casa da casa do vizinho. A ira subiu a minha cabeça e com a minha "calma master" que todos conhecem, chutei todos os outros saquinhos do mesmo supermercado dos que estavam dentro do sacão para o lado do vizinho filhodaputa.

Uma hora depois toca a campanhia.

- Oi Matos. Oi mulher do Matos.

- Oi, desculpa incomodar. A gente podia falr com vocês um pouquinho?

- Claro.

- Lu, é melhor você ir, senão vou estressar.

A mulher do Matos começa a falar calmamente.
- Eu queria só esclarecer para não ficar uma situação chata em relação ao lixo. Eu vejo que sempre tem lixo aqui na frente da casa de vocês, mas a gente realmente não coloca o lixo aqui. A gente coloca alí depois da linha.

- Eu sei, mulher do Matos, é que o lixeiro só passa às terças, quintas e sábados, só que todo dia tem lixo na nossa porta.

- É, eu vejo... 

- E quando o lixo fica aí muito tempo, estimula que as pessoas que passam por aqui vão jogando cada vez mais coisa. A nossa árvore fica um lixo.

- É mesmo.. as pessoas não tem mesmo educação. Quando vocês não estavam aqui eu sempre cuidei dessa árvore. Eu molhava e limpava sempre ela.

Não me aguentei por muito tempo.
- Mas aquele lixo alí não é de vocês?

- Aquele saco grande sim, mas tá do nosso lado.

- Pois é, só que hoje é domingo. O lixeiro só passa na terça, entende? O lixo vai ficar aí e os mendigos rasgam o saco, os cachorros mijam, as pessoas jogam mais coisas e a frente da nossa casa fica podre.

- É, realmente colocamos no dia errado.

Matos fica bravinho.
- A questão é que eu não aguento mais isso. Tudo que acontece de errado nessa rua é culpa minha. Essa casa aí mesmo (aponta para a vizinha do outro lado), tudo que acontece é culpa da minha casa.. ahh, eu não aguento mais, não aguento mesmo.

Eu e Luis pasmos e calados e a mulher do Matos tentando acalmá-lo. Matos sai andando e atravessa a rua enquando sua mulher se desculpa conosco. O papo durou mais alguns minutos. Lixo pra lá, lixo pra cá. A vizinha do outro lado chegou, brincamos com a madalena e ainda estava lá Luis e a mulher do Matos falando sobre lixo, árvore e vizinhos.

Nunca mais apareceu lixo na árvore nem em dias diferentes de terças, quintas e sábados. Quem será então que colocava o lixo nos dias errados e na nossa árvore? Alguma alma penada que ouviu nossas preces e parou de nos atormentar com o lixo alheio.

- Amor, será que eles notaram que eu chutei o lixo deles?

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Currently feeling: calm�­�­ssima
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June 7th, 2006

Ê SÃO PAULO..

A vida em São Paulo é sempre exótica. Seja por sirenes de ambulância ou de carros de polícia ou seja pelo movimento cultural diário. Cheguei em São Paulo, pela milésima vez, com a cabeça nas coisas boas, mas é impossível continuar pensando assim, depois de dois dias na cidade.

A caçamba custa R$ 140,00 e fica na porta da sua casa durante 1 semana. Se você não ligar para mandar recolher a caçamba, cobram adicional. E o entulho não pode ultrapassar o limite. Caso isso ocorra, a prefeitura lhe aplicará uma multa.

- Ok. Mas qual é o limite?

A casa está um caos. Estamos trocando o forro. Forro? É, aquele negócio que a gente chama de teto. Que fica entre as nossas cabeças e o telhado da casa. A casa está branquinha, só que de pó.

- Amor, joga isso na caçamba..
- Vamos jogar logo essas madeiras fora. Na caçamba...
- Nossa! A caçamba está lotada....
- Amor, tem mais entulho aqui no quarto..

O forro de gesso custa mais ou menos R$ 22,00 o metro quadrado. Esse foi o preço mais barato que conseguimos. Com os "manos".

- Pode fumar maconha aqui?

O tempo para a troca de gesso varia de acordo com o rendimento do trabalho dos "manos". E depende muito também do carro dos "manos" funcionar no percurso entre suas casas e a Pompéia - nossa casa.

- Amor, não pegue esse peso todo. Deixe que eu pego, porra!

Meu marido é tão gentil. Me sinto aquelas grávidas que são paparicadas pelas sogras que não tiveram netos até então. "Não, minha filha, não pegue peso", "Olha, você tem que ficar em repouso máximo", "Deixa que eu pego pra você", "Querida, você tem que se cuidar"...

Depois de tirar tudo do carro, eu os travesseiros, os lençóis, penas e tudo de mais leve que tinha e o Luis os galões de 20 litros de tinta e todo o peso que tivesse no carro, o Lu vai estacionar o carro.

- Você vai jogar esse lixo todo na minha caçamba?
- Não, só esses dois saquinhos, pra aliviar aqui..
- Na minha caçamba!
- É.. ahn.. hum..


(...)

Completada uma semana que a caçamba estava na nossa porta, lembramos de ligar para virem buscá-la.

- Alô? Olha, tá fazendo uma semana que a caçamba tá aqui na minha porta e até agora não vieram buscá-la.
- Você ligou para pedir que fossem pegar?
O Lu pensa alguns segundos em qual seria o valor do adicional.
- Liguei. Mas até agora não vieram.
- Ah, então vou mandar buscarem.
- Não dá para vocês fazerem um desconto?
- Não.


De 5 em 5 minutos eu olho para a rua e a caçamba ainda está lá. Olho mais uma vez de longe e avisto a carreta que recolhe caçambas com uma caçamba recolhida.

- Amor, estão levando a nossa caçamba!

Ledo engano. Nossa caçamba continuava no mesmo lugar.

- Amor, agora com certeza estão levando a nossa caçamba.  Será que o cara esqueceu de cobrar? Ele já tá com a caçamba em cima da carreta?
- Se ele esquecer de cobrar, ótimo!

Blémmm.

- Faço o recibo em nome de quem?

Mesmo tirando o entulho de reforma encontramos outros "entulhos" na casa. Jornais de 1995, papéis da mega-sena de 1990, potinhos e potinhos e mais potinhos. É incrível como nós, seres humanos, guardamos coisas inúteis.

- Amor..
- Fala linda.
- Vamos jogar esse entulho naquela caçamba alí do outro lado da rua?

 

 

 

Currently feeling: Felicíssima!
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May 15th, 2006

CannAbis CuP BrASiL

Eu tenho carta pra caralho. Cartas, bilhetes, enquetes, recados, cartões, monólogos... Acho que disso eu nunca poderei reclamar: não ter recebido muitas cartas. Estava arrumando as coisas velhas na minha casa porque quando você casa, tem que arrumar tudo que juntou até o dia do seu casamento. Todas as suas tralhas, lembracinhas e começa a achar coisas que não mais lembrava que existiam.

Achei além de bolinhas pula-pula, uma mini Torre Eiffel, "n" adesivos, vários bloquinhos de papel que ganhei quando fiz curso de produção gráfica no Senai, tintas de várias cores, bolinhas de gude (eu brincava disso?), colares de hippie anos 60 que foram da minha mãe, palitinhos de picolé da Kibon de plástico que tinham imagens de esportes e natureza, todos os tipos de canetas, lápis, borrachas e tachinhas e além de mais muitas tralhas achei muitas, mas muitas cartas, bilhetinhos, entre outros. Um desses outros foi o crachá do XXV ENECOM  - Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação e escritos sobre este.

Julho, 2001---UCB (Universidade Católica de Brasília)
TAGUATINHA - Distrito Federal

Ônibus de graça para ir para Brasília. Marcos Rosa, que se canditaria a algum cargo político no ano seguinte tentara conquistar alguns votos, conseguindo dois ônibus para seus colegas de faculdade irem ao Enecom. Mas o Marcos era da minha classe e claro que ele ganhou um apelido logo que a notícia de sua possível futura carreira política se espalhou. Marcos Roba.

Mas foi com o ônibus que nosso futuro político nos cedeu gratuitamente, que fomos para o Enecom em Brasília. Tudo certo, chegamos, ficamos em alojamentos e encontramos pessoas de todos os lugares do Brasil.

- Você conhece alguém do Acre?
- Tem alguém do Acre aqui?
- Existe uma delegação do Acre?
- O Acre existe mesmo?

Talvez não houvessem pessoas de "todos" os lugares do Brasil, mas tinha muita gente, quase 2.500 pessoas, tentando discutir sobre os diversos assuntos "comunicacionais" existentes na época. Discussões, palestras, oficinas, entre outros eventos dividiam as pessoas durante o dia e as festas nos juntavam novamente à noite. Logo no segundo dia já via-se cartazes informando sobre um tal Cannabis Cup. Seria então o 1º Cannabis Cup brasileiro.

"Inscreva-se!", "Várias categorias", "Não percam", eram as frases que dividiam espaço com informes políticos e mensagens bairristas, como a tão polêmica notícia sobre a delegação nordestina, ilustrada por uma foto de um caminhão abarrotado de bóias-frias na caçamba e sua respectiva legenda "delegação do nordeste chegando no Enecom". O que causou uma revolta nordestina dentro da UCB, resultando em mais cartazes e mensagens contra aquele infortúnio.

Foi o 2º Enecom que eu participava. Nessa fase eu já tinha me desestimulado a lutar da forma como os jovens sugeriam. O movimento estudantil já não era o mesmo e mostrar a bunda no Congresso Nacional (para quem?) não faria de mim uma lutadora. Deixando a política de lado e voltando ao tão polêmico Cannabis Cup, a delegação da Bahia, da qual eu fazia parte, resolveu participar do "grande evento".

Quem falou o que? Nem eu me lembro. Ou não quero me lembrar agora.

"- Vamos nos inscrever na categoria tamanho.
- Como assim?
- A gente faz o maior beck já visto, hehe.
- E como faremos isso?
- Vamos coletar......
- Coletar. Aha.

- Ae, galera, vamos nos inscrever no Cannabis Cup. E vamos fazer o maior beck já visto.
- Uhuuuuuuuuuuu.
- Eeeeeeeeeeeee.
- Iraaaaaddddoooo.

- Porra, como vamos fechar esse beck?
- Quem tem seda?
- De que adianta seda? Quantas sedas serão necessária para fechar esse beck?"


Uma voz de algum lugar surge e eis que "tô morrendo de saudade" aparece com duas folhas de seda gigantes, daquelas que vem dentro das caixas de sapatos.

Me espantei.

- Como assim???? Onde arrumou isso?
- Tava no fundo da minha mala. Alguém esqueceu.

Alguém que comprou sapatos.

Vou lá fora ver como estão os preparativos para o "grande evento", que se realizaria em um anfiteatro, muito próximo do nosso alojamento, de onde já se ouvia o grande alvoroço.

- Nooooooooooosa - pensei eu em alto e bom som ao ver aquela quantidade de pessoas alí nos degraus daquela construção circular.

Nem deu tempo de voltar e lá vem o grande, o imenso, o gigante beck da Bahia, carregado por 4 pessoas e coberto por um lençol, para criar espectativas. Rapidamente chegamos ao anfiteatro (cerca de 20 passos) e todos voltam-se ao "grande" em um misterioso silêncio. Tira-se o lençol e eu quase fico cega. Flashes incansáveis buscavam o melhor ângulo para aquela glória. Ou aberração? E todos começam a urrar como feras. Nesse momento vem pelo corredor a delegação do Rio de Janeiro com uma tentativa de maior beck. Eles vinham em 3 e gritavam algo se referindo à sua obra como "mangueira", algo como "a mangueira chegou", mas tinha uma rima, que eu não me lembro. O que rima com mangueira? Nem chegaram a mostrar sua obra-prima, que diante de um Picasso, não passava de um artesanato feito por um leigo no assunto.   

Passado o alvoroço. Começa o evento, que tinha uma comissão julgadora (10 jurados) que depois do julgamento passava a obra inscrita para os espectadores, que eram quase 500 pessoas. As categorias eram: solto ou prensado. E ainda haviam as subcategorias: criatividade na elaboração dos cigarros, tamanho, qualidade do fumo e tempo de carburação (queima), além de alguns prêmios especiais.

O maior baseado brasileiro foi o da minha delegação. Entro em choque. Quer dizer que o maior beck do evento mede mais do que o meu braço (contando do pescoço até a pontinha da unha) e foi "fechado", abençoado e "concebido" pela delegação da Bahia (da qual eu fazia parte)?? Como se não bastasse ainda levamos o prêmio de maior "camarão". Não posso deixar de falar no "Bicho de Sete Cabeças", criado por estudantes pernambucanos. Um tubo de bambu com sete canos formando saídas por onde se pode fumar. Não esquecendo da "Tocha", que como o nome sugere é exatamente igual a uma tocha, só que o fogo aparente tem outra origem.

- Mila, Mila......
- Fala...
- Campeões... campeões....

Campeã do Cannabis Cup: a Bahia.

O Enecom mal sabia, mas naquele momento estava assinando o seu atestado de óbito.


Voltando para Salvador. Nos dois ônibus cedidos por nosso amigo Marcos "Roba", que iam em comboio. Você tinha duas opções: comprar o passaporte da alegria ou ir dormindo no outro ônibus. Só uma averbação: comprar o passaporte da alegria significa em não dormir por 23 horas.

- Puta Merda. Quem jogou alguma coisa na minha cabeça? Caralh... Quem foi o filho da put...?
- Calma, Mila.
- O cacete, quando eu consigo cochilar alguns segund...
- Mila, o ônibus bateu. Você se machucou?
- O quê? - eu dizia isso, enquanto levantava e corria para fora do ônibus.
- Cadê o outro ônibus?
Batemos no quê? Motorista... cadê o motorista?
- Calma, minha filha, eu brequei e o outro ônibus bateu em mim.
- Cadê o outro ônibus?
- Sumiu.
- Puta merda.

Alguém sugeriu que andássemos um pouco, porque o ônibus tinha que estar atrás da gente. Corremos. A única luz era a dos faróis dos carros, que à uma da manhã eram inexistentes. Corremos muito. Mas logo encontramos o ônibus, que havia saído da pista e caído num declive até parar em uma cerca. O motorista preso pelo volante. E as pessoas descendo pela saída de emergência. Inédito. Depois de um chororô dramático passamos a participantes do Enecom com duas histórias para contar: campeões do Cannabis e sobreviventes. Enquanto alguém ligava para a prefeitura de Paratinga - cidade mais próxima - para sairmos dalí, nós fazíamos uma fogueira e ouvíamos Roberto Carlos (só as antigas) do walkman com alto-falante de Andrigo. Depois que a fogueira foi acesa, percebia-se uma casinha de beira de estrada bem próxima a nós, que parecia abandonada e um boteco de beira de estrada do outro lado da estrada. Lá estávamos nós rindo denovo e fumando Trevo, aquecidos pelo tão sagrado fogo. Sai um homem da tal casinha e nós, atónitos, emudecemo-nos. Agora só ouvia-se.... "de saudades eu chorei e até pensei que ia morrer. Juro que eu não sabia, que viver sem ti eu não poderiaaa". O homenzinho vem carregando um balde, despeja-o em cima da nossa voluptuosa fogueira e diz: "vocês querem matar a minha árvore?" e volta para sua casa. Ninguém falou com o homenzinho, só uma voz grunia um pedido de desculpas. Ficamos no escuro, sem problemas. Depois de três horas, chega um ônibus comum - daqueles com cordinha para dar sinal e tudo mais - desce alguém e diz que vão nos levar a Paratinga até que providenciem um meio de voltarmos a Salvador. O ônibus nos deixa em um posto de gasolina. Comemos, tomamos banho - sim, no posto, banheiro de posto - e pegamos nossos colchonetes.

- Vamos acampar no posto.


1ª quinzena de Agosto. Meia noite e alguma coisa. Programa do Jô.

- Boa noite e blá blá blá.... Aconteceu em Brasília no mês passado, o 1º Cannabis Cup Brasileiro. Uma comissão formada por 10 jurados votavam dentro das categorias, como  criatividade na elaboração dos cigarros, tamanho, qualidade do fumo... - Pasmei, mas ele continuou - Quem ganhou o prêmio de maior cigarro de maconha, que media 7 palmos...

Nessa hora eu fiquei indignada.. meça 7 palmos aí. Eu tenho 1,72 de altura e 7 palmos vai do meu pé até o meu pescoço. Não, ele não tinha 7 palmos. Mas o Jô Soares continuou. O pior ainda estava por vir.

- ...foi a Bahia...

Minha boca se entreabriu, mas não consegui falar absolutamente nada. E o Jô finalizou:

- sempre a Bahia.

Currently feeling: Em busca da felicidade
Posted by MILA_on_the_road at 04:08 AM | 5 Alguém escreveu!

May 12th, 2006

SIMPLES DESEJO

Tem gente que não gosta de alguém pelo simples prazer de não gostar. Elas não são como as pessoas normais que acham algo que você fez imperdoável e a partir daí te abomina da vida delas. Essas pessoas te odeiam pelo simples desejo de odiar alguém. Algumas usam aquela frase típica e ridícula: "Não fui com a cara dele(a)".

O convívio social há muito tempo se tornou uma disputa de quem é o melhor. E o melhor é aquele que despreza mais pessoas. Ele é realmente o melhor e sabe distinguir as pessoas merecedoras da sua honrosa companhia.

Acabo de descobrir que sou a pior!

Currently listening to: After hours
Currently feeling: trilste
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April 24th, 2006

Quem merece?

 A frase "ninguém merece" se tornou banal. Simplesmente virou moda. Por que será que as coisas viram moda? No Rio de Janeiro as minhas primas diziam o tempo todo...

- ninguém merece uma avó dessas....

- "ei gostosa!".. ai, ninguém merece esses pedreiros..

 Aí o famoso "ninguém merece" virou hit. "Ninguém merece ser só mais um bonitinho, nem la la la la consciente, inconsequente..". Enfim, as mesmas banalidades e versos rimados de Priscila, como a antiga "com conscientização e principalmnte união, não passe pelo mundo sendo só mais um cuzão". Com conscientização? Com com? "Pedro pedreiro penseiro". Filhos de Chico Buarque? Novos baianos? Não vou entrar aqui no mérito do que é bom e do que não é. Há quem ache Jane´s Addiction uma merda e Sonic Youth um exorcismo.

 A questão é... Ninguém merece?

Quem merece? O quê? Quando? Nessa hora todo mundo acha que é deus e que sabe quem é merecedor do céu e do inferno. Eu? Eu sou só mais um no meio de muitos. Com mais uma opinião, com mais uma idéia, com mais uma esperança de um mundo melhor (ou não), com mais um problema, com mais uma solução, com mais um comentário, com mais uma vida.

Você merece?

 

Currently feeling: merecedora ou não
Posted by MILA_on_the_road at 05:28 PM | Escreve aí, meu!

March 10th, 2006

DIA DO NUNCA

Parem de me rodear
Eu só quero ar pra respirar 
 
ACABOU-SE O MUNDO E FICOU VOCÊ!
 
É chegada a hora de se largar 
De dar desesperto, se acomodar
Saber o que é amor
Ficar com essa dor imensa 
Currently feeling: working hard
Posted by MILA_on_the_road at 09:18 PM | 1 Alguém escreveu!
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